Para entendermos um pouco sobre a maravilhosa Graça de Deus, vamos à história genealógica de Cristo, onde veremos fatos interessantes, o que faz deste um estudo um pouco extenso, mas rico em revelações. Começaremos por Noé, que: após o dilúvio, plantou uma vinha e se embriagou com o vinho, ficando completamente nu em sua tenda, e Cam, filho de Noé, pai de Canaã, vendo (descobrindo) a nudez do pai, fê-lo saber a seus irmãos. E Noé, despertando do seu vinho, soube o que lhe fizera o filho mais moço e disse: Maldito seja Canaã; seja servo dos servos a seus irmãos. E repetiu a sentença de servidão de Canaã por três vezes no total (Gênesis 9:20-27).  Noé não amaldiçoou Cam, mas, sim, seu filho Canaã. Mais adiante, na história, veremos que Canaã, filho de Cam, habitou na Terra da promessa dos filhos de Israel. Cada um dos filhos de Noé disseminaram às nações da Terra, depois do dilúvio (Gênesis 10:32). De Sem, saíram os judeus e todo o povo asiático; de Jafé, saíram os romanos e todo o povo europeu; e de Canaã, saíram os africanos. Durante todo o decorrer da história, temos os descendentes de Canaã afrontando os descendentes de Sem e Jafé.

Após esses relatos, temos Judá, filho de Jacó, que se apartou de seus irmãos hospedando-se na casa de um adulamita, tomando por esposa uma cananeia, descendente de Canaã que, por sua vez, teve três filhos chamados: Er, Onã e Selá. Judá tomou uma esposa para Er, seu primogênito, chamada Tamar (Gênesis, 38:1-6) que, no hebraico, significa “permanecer ereto”, por ser uma mulher determinada. Ela era uma mulher cananeia, descendente de Canaã e, ao entrar para o clã de Israel, tomou conhecimento do grande propósito de Deus para aquela família. Certamente, ela ouviu as histórias maravilhosas do povo de Israel, de como o Deus Altíssimo havia abençoado a Abraão e a Sara com um filho. Para Tamar, não estava sendo nada fácil ser mãe, porque Er era perverso perante Deus, pelo que o Senhor o fez morrer (Gênesis, 38:7) Mas, segundo a lei do levirato, a viúva deveria casar-se com o cunhado para suscitar descendência ao irmão. E Tamar veio a casar-se com Onã, que sabia que o filho gerado nela não seria tido por seu; e que por causa disso, todas as vezes que possuía a mulher de seu irmão, deixava o sêmen cair na terra, para não dar descendência ao seu irmão. Porém, o que ele fazia não agradava ao Senhor e Onã, também, morreu. Agora imagine a situação de Judá, que certamente pensava que Tamar teria algum tipo de maldição, uma vez que seus filhos estavam morrendo em sua companhia. Todavia, ainda lhe restava um filho mais novo, Selá. Porém, diante de todos os acontecimentos, Judá não lhe entregou Selá. Mas, Tamar, tinha por direito casar-se com ele. Passados alguns anos, após a morte da esposa de Judá, este foi a Timna, e Tamar, sua nora, ficou sabendo e se despiu de suas vestes de viuvez e se vestiu como uma prostituta. Vendo-a Judá, não a reconheceu e este veio a ter relações íntimas com ela e Tamar engravidou de Judá (linhagem de Cristo). O que quero ressaltar aqui, é que Tamar era uma cananeia, descendente de Canaã, que gerou de Judá um filho chamado Perez, que, por sua vez, veio a ser ancestral de Cristo. O que vemos aqui, é uma cananeia tornando-se “serva de um judeu”. Pois a atitude de Tamar, em persistir no seu direito de servir ao seu primeiro marido dando-lhe descendência, deu a ela o direito, por justiça, de entrar na genealogia de Cristo (Mateus, 1:3). Tamar não herdou tal benção por seus méritos, mas, sim, pela Graça de Deus.

Mais adiante na história bíblica, algo muito interessante se revela nesse enredo da Graça de Deus, porque, na cidade de Jericó, havia uma mulher, também cananeia, chamada Raabe. Jericó era uma cidade fortificada e servia de habitação para os descendentes de Canaã, considerado um povo hostil. Raabe era uma prostituta, habitante de Jericó e descendente de Canaã. O nome Raabe, em hebraico, significa “orgulho”, mas entre todos do povo de Jericó, que conheciam o Deus de Israel, somente aquela mulher abdicou do seu orgulho próprio e se humilhou diante de dois espias (representando aqui o Filho e o Espírito Santo), confessando que não havia outro deus como o Deus de Israel, reconhecendo-O como o Seu único Deus, em cima no céu e em baixo na Terra (Josué, 2:1-11).  Veja que interessante esse fato, porque, quando Noé amaldiçoou Canaã, filho de Cam, ele disse: seja servo dos servos a seus irmãos (Gênesis 9:25); e vemos que Raabe, descendente de Canaã, naquele momento, tornou-se serva dos servos, descendentes de Sem, que era Josué (representado aqui por Cristo, o nosso Salvador), tal Noé havia dito. Raabe serviu os judeus e Deus viu o coração de serva daquela mulher, porque Deus não vê como vê o homem, Ele vê o coração. Ao realizar a santa ceia, disse Jesus aos seus discípulos: Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve. Pois qual é maior: quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve (Lucas 22:26,27). Nessa história, não são os espias, que estavam à mesa, ganhando todas as guerras em nome do Deus vivo, que eram os maiores ali, pelo contrário, Raabe, a meretriz, a que serviu os servos de Josué, tornou-se a maior, recebendo, por justiça, o direito de entrar na genealogia de Cristo (Mateus, 1:5). Raabe teve um coração que creu para a Justiça e uma boca que confessou a respeito da salvação (Romanos, 10:10).

O fato interessante na genealogia de Cristo não termina aqui, porque Mateus, 1:5 nos revela que Raabe gerou Boaz, pai de Obede que, por sua vez, foi o pai de Jessé e esse, o pai de Davi. No começo dessa história, temos Canaã sendo amaldiçoado por três vezes a ser servo dos servos de seus irmãos. Após esse fato, temos três relatos incríveis, de três mulheres descendentes de Canaã, que entraram na genealogia de Cristo. Em primeiro lugar, temos uma cananeia chamada Tamar, que se passou por prostituta para ter o seu direito de gerar filhos e que, por ter um coração de serva para com o seu primeiro marido, obteve o direito, por justiça, de entrar na genealogia de Cristo, por meio de Judá. Em segundo lugar, temos outra cananeia, também descendente de Canaã, chamada Raabe, a meretriz, que entrou na genealogia de Cristo após servir dois espias; e em terceiro lugar e não menos importante, temos uma moabita chamada Rute, sacerdotisa de Moloque, que, também, entrou na genealogia de Cristo. Ao analisar esses relatos, fico me perguntando: como é possível que isso tenha ocorrido? E logo me vem a resposta no espírito, que diz: porque as coisas de Deus são loucura para o homem! (Risos…) Deus é incrivelmente “louco” (entenda) para o meu homem natural e Soberano para o meu homem espiritual! Rute era descendente de Moabe, filho de Ló, sobrinho de Abraão, de Ur dos Caldeus. Acredita-se que a mulher de Ló, também era descendente de Canaã e que Rute era o resultado do incesto das filhas de Ló, com a mistura da cultura sodomita dos cananeus (Gênesis, 10:19). Rute, por sua vez, foi uma nora exemplar para Noemi e essa a serviu fielmente, reconhecendo o Deus de Israel como o Seu único Deus (Rute 1:16), indo até à Terra de Belém de Judá, onde veio a ser resgatada por Boaz (que representa Cristo, o nosso resgatador), tornando-se bisavó do Rei Davi. Analise essas três descendentes de Canaã, que entraram na genealogia de Cristo sem merecer, como prova da Maravilhosa Graça de Deus. Na verdade, Noé usou do seu poder de abençoar para amaldiçoar, mas Deus, por meio da Graça, que é Cristo, os redimiu, uma vez que Judá, Josué e Boaz representam Cristo. Não foi por merecimento de uma vida reta para com Deus, que elas entraram na genealogia, mas, sim, porque tiveram um coração de servas e nenhuma delas abriu mão do direito de ser justificada.

Dando continuidade neste estudo maravilhoso da Graça revelada de Deus, vamos agora para o momento da crucificação, onde Jesus, já cansado de tantos açoites, transpassado pela dor, caia no decorrer da jornada e, ao não ter mais forças para carregar a Cruz, sozinho, eis que surge um personagem vindo do nada, mas, que, na verdade, tornou-se uma chave para tudo isso. Em Marcos, 15:21 encontramos um relato de que obrigaram a certo Simão, “Cirineu”, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e Rufo, a carregar a Cruz. A Bíblia não relata mais nada a respeito daquele homem, apenas que se chamava Simão e que era de Cirene, uma cidade situada no Norte da África. Mas, afinal, o que um africano, descendente de Cam, de uma província Romana, fazia ali, em Jerusalém, passando desapercebido pelo local da crucificação? Chega a ser intrigante não é mesmo! Porém, Atos, 6:9, nos revela que havia uma sinagoga dos cirineus chamada “dos Libertos”. Sendo assim, tudo indica que aquele homem era um judeu, por parte de pai ou de mãe nativa. E todo judeu deveria comparecer a pelo menos uma festa na cidade de Jerusalém, para participar das cerimônias anuais no Templo: a festa dos Tabernáculos, a Páscoa ou a festa de Pentecostes. Nessa ocasião, os homens judeus vestiam-se de linho branco para participarem do sacrifício do cordeiro pascal. Se houvesse qualquer mancha, sujeira ou resquício de que a veste havia sido mal lavada, tal homem era impedido de entrar no Templo e de participar da cerimônia. Dentro do Templo, havia um altar com cerca de 2,80 metros de altura, todo feito em pedra inteira, sem corte ou trabalhada. Após o sacerdote sacrificar, ali, o cordeiro, ele o pegava pelas pernas traseiras e com movimentos no sentido horário, girava, sete vezes em torno do altar, deixando o sangue cair e escorrer pelo altar. Quando o sangue já havia saído, o sacerdote pegava uma planta chamada hissopo (tipo esponja), passava sobre o sangue e depois sacudia sobre os homens que estavam presentes na cerimônia, para que recebessem ao menos uma gota do sangue do cordeiro na veste de linho branco que vestiam, e que haviam limpado com tanto esmero. Quando isso acontecia, a veste passava a ser um troféu para a vida daquele judeu, que viajava quilômetros e quilômetros, para receber uma gotinha que fosse.

Pois bem, Simão era um desses judeus que havia saído do campo, fora dos limites da cidade, para ir ao Templo receber as gotas do sangue do cordeiro pascal. Imagino o cuidado daquele Cirineu com aquela veste de linho branco, mas algo inusitado aconteceu e a Bíblia diz que ele foi “obrigado” pelos soldados Romanos a carregar a Cruz de Jesus. Ele certamente pensou: não acredito nisso, vim de tão longe para a cerimônia do cordeiro pascoal e agora terei de carregar a Cruz de um condenado ao pior julgamento que um homem possa ter! Mas o que Simão não sabia, é que ele estava prestes a servir o maior Servo que a humanidade já viu, e que ele, naquele momento de constrangimento, iria receber, não apenas uma gota de sangue, mas seria completamente lavado pelo sangue do verdadeiro Cordeiro Pascoal, Jesus Cristo de Nazaré, o nosso Salvador. Aleluia! Posso imaginar Simão se aproximando de Jesus, vendo, de perto, o Seu rosto e o Seu corpo completamente esvaindo-se em sangue. Simão viu o que muitos, que tendo olhos não viram, ele viu a face ensanguentada do Cordeiro que tira o pecado do mundo e abraçando-se a Ele, teve as suas vestes de linho branco, não apenas salpicadas de uma gota de sangue, mas completamente molhada pelo sangue que nos justificou de toda a condenação para todo o sempre. Aquele dia marcou a vida daquele homem, e cumpriu-se o que Noé disse: seja servo! Lembre-se: Maior não é o que senta à mesa, embora pareça, mas sim o que serve. Para finalizarmos essa história, tão maravilhosa da Graça revelada de Deus, que é Jesus, vamos ao exato momento da crucificação, onde Jesus encontra-se pendurado no madeiro do meio, entre dois ladrões que, historiadores os denominam de Dimas e Gestas. Naquele cenário da crucificação, se analisarmos bem, veremos novamente, reunidos ali, Sem, Cam e Jafé.  Cristo representa Sem; Simão e o ladrão representam Canaã, filho de Cam e os Romanos representam Jafé. Mas, o mais interessante é que naquele momento, Cristo se tornou tudo em todos e, de fato e verdade, Ele deu início, ali, a uma nova nação de eleitos em Cristo Jesus. O mais lindo de toda essa história, da manifesta Graça de Deus, é que por fim, temos não Pedro o apóstolo, nem Tiago ou mesmo o discípulo amado, João, inaugurando o paraíso com Jesus, e sim, um mero ladrão, que apenas creu e confessou com a boca a respeito da salvação, sim, provavelmente um cananeu. Desejo que você hoje, desfrute dessa Maravilhosa Graça, que é Cristo, e descubra riquezas insondáveis na Sua maravilhosa Palavra, por meio do Espírito Santo, o nosso Ajudador.

Livres pela Fé

2 COMENTÁRIOS

  1. Para quem quer um conhecimento maís profundo da Bíblia, os artigos aqui são maravilhosos!!
    Li e aprendi coisas que não sabia!!!
    Deus abençoe 🙏

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