Se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muitos frutos (João, 12:24). Entender a morte significa realmente entender a vida, porém, essa compreensão só é possível passando pelo processo solitário da morte, seguindo a sua jornada, afinal, você não saberá o sabor do mel se não prová-lo, não é mesmo? Não há como descrever o processo da morte, uma vez que o ator principal desse enredo chama-se carne, sem que haja amor, escolha, renúncia, sofrimento e vitória. Morte é uma palavra muito forte, usada para descrever o processo de separação irreversível do casamento entre a carne, a alma e o espírito. Dizem que a morte é a única certeza que temos em vida. A primeira vez que a palavra morte aparece na Bíblia é em Gênesis, 2:17, que diz: Mas da árvore (pessoa ou ser) do conhecimento do bem e do mal não comerás (não terás comunhão ou partilharás das ideias); porque, no dia em que dela comeres (ou seja, no dia em que as palavras entrarem no seu coração), certamente morrerás. Como poderia existir a morte em um momento da criação divina, onde tudo era perfeito, santo e sem pecado? De onde veio essa morte que ameaçava o homem, ainda santo e puro? Isso nos leva a conclusão de que, se havia a palavra “morte”, então, certamente houve uma morte antes de toda a existência humana, antes da fundação do mundo, antes mesmo de Lúcifer ter sido criado, houve uma morte que ficou oculta, por milhares de anos, e veio a nos ser revelada por meio de homens, seres tão ínfimos diante da Glória de Deus, mas cheios do Espírito Santo, veja o que a Bíblia revela: Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro, sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor a vós (1 Pedro, 1:18-20).
Nada está oculto, senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, se não para ser revelado (Marcos, 4:22). O Pai escolheu este tempo, o qual vivemos, o tempo do fim, para manifestar o que ainda estava oculto: E adorarão (a Besta) todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujo nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo (Apocalipse, 13:8). Quando Deus falou da morte para Adão, estava referindo-se à morte eterna, a separação da alma e do espírito, a desunião da comunhão com Deus. Mas houve uma primeira morte, uma entrega que não veio com a rebelião de Lúcifer, não veio com a queda de Adão e Eva, e nem no momento em Caim matou Abel. A primeira morte ocorreu antes de todo e qualquer tipo de raiz de iniquidade e manifestação de pecado. Cristo, em todo Seu amor, quando arquitetava o mundo com o Pai, já sabia todas as coisas, Ele é o presente, Ele é o passado e Ele é o futuro, Ele é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, Tudo é d’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas e sem Ele, nada do que foi feito se fez, ou seja, Cristo é o motivo de tudo existir, inclusive da própria morte! A morte foi criada por Deus, antes de todos os seres do Universo. Acredite, a morte é um espírito criado por Deus e não pela desobediência humana: Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele (Colossenses, 1:16). Deus sabia que o Anjo de luz, Lúcifer, criado com a maior beleza e sabedoria entre os outros Anjos, se rebelaria, Ele sabia que o ser humano, criado à Sua imagem e semelhança, seria seduzido pelo conhecimento do bem e do mal, e cairia nas garras da morte eterna, mas, antes mesmo de tudo ter sido criado, Ele escolheu entregar-se voluntariamente por amor: Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude (Colossenses, 1:17-20). Se Ele é o primogênito de entre os mortos, logo, Ele foi o primeiro a morrer, não como consequência do pecado, mas como entrega voluntária.
Na religião, por meio do homem, aprendemos que Cristo teve de morrer pelo pecado do homem, mas, na realidade, pela misericórdia e revelação na Palavra, por meio do Espírito Santo, aprendemos que Cristo não teve de morrer, Ele escolheu morrer, é diferente! Pois, ter de fazer algo é cumprir com um dever é uma obrigação, exige força, mas, escolher fazer algo e fazê-lo com excelência, exige apenas amor! Você só se compromete com aquilo que ama, do contrário, não é amor, é dever! O dever é parte do esforço físico e gera cansaço, o compromisso é parte do amor e gera descanso. Cristo escolheu ser o primeiro a experimentar quão profunda dor seria a da morte e quão profundo amor seria fazer essa escolha. Por isso que morrer é um processo que envolve: amor, escolha, renúncia, sofrimento e vitória. Morrer vai muito além de uma simples partida terrena ou morte da matéria, morrer é uma escolha. Quem escolhe a morte, encontra a vida plena e quem busca a vida, nesta vida, encontra a morte, mas para alcançar essa vida plena, é necessário percorrer um caminho solitário e sem volta, e nem todos estão dispostos a pagar esse preço, porque essa escolha não tem plateia, não tem aplausos, ninguém te vê, somente Cristo. Então, morrer é escolher fazer como Cristo fez, pois Cristo escolheu morrer antes que houvesse mundo, antes de ter plateia, antes de aplausos, antes dos Anjos, Ele escolheu morrer primeiro, passar pelo processo e somente o Pai o viu, porque o Pai que te vê me secreto te recompensará publicamente (Mateus, 6:6). Cristo morreu antes que houvesse uma raiz de iniquidade e isso ficou oculto, para ser manifesto agora. Certamente, você está se perguntando: “por que, alguém criaria um mundo sabendo de seu resultado caótico? Será que alguém gastaria bilhões e bilhões de Euros em um projeto, sabendo de sua destruição?” O homem certamente não criaria, mas Deus não é homem e nem filho de homem. Por tanto, Deus criou tudo, inclusive Lúcifer, porque antes de ser o primeiro a morrer, foi também o Alfa do amor, Cristo nos amou antes de existirmos, incondicionalmente, Ele amou toda a Sua criação, antes mesmo de fazê-lo: Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro (1 João, 4:19). Logo, o processo da morte inicia-se com o amor. No processo da morte temos como exemplo Abraão, que seguiu um caminho difícil, levando o amor de sua vida para ser imolado vivo (Gênesis, 22:6). Abraão, o pai, sabia que o filho seria sacrificado, Isaque, até o momento do sacrifício, carregando a lenha, não sabia que ele seria a oferta.
Morte é seguir os passos do Pai no caminho que é Cristo, levando a própria cruz. Abraão sabia a quem ele mais amava e não era o filho, era a Deus, porém, ele acreditava em um poder maior do que a morte (Gênesis, 22:8) e não excitou em levantar a mão para matar o próprio filho em sacrifício. Abraão escolheu se mortificar ao fazer aquilo. O processo da morte tem cinco passos, o primeiro é o do amor, pois, antes de fazer qualquer escolha é preciso que haja amor, um casamento é baseado no amor, você só escolhe casar depois de ter certeza que ama, assim, também é com o Reino de Deus ou você ama a Cristo ou você ama o mundo, não se pode amar os dois. Por tanto, a primeira coisa que você deve saber é o que você ama mais? O segundo passo nesse processo solitário da morte é o da escolha, afinal, você tem livre arbítrio, sabe que pode escolher não morrer e não sofrer, mas, se escolher pagar o preço, sabe que não haverá mais volta! Escolher pelo que deve viver e o que deve morrer é uma decisão somente sua, Deus não vai descer do céu e dizer: “Ei, morre aqui ou ali”, não! Cristo é o caminho que te conduz, mas para ser conduzido você precisa estar no caminho e isso, quem escolhe, é você! Muitas vezes, queremos que outros escolham em nosso lugar, mas no processo da morte a escolha é só sua. O terceiro passo é o da renúncia, e esse, é um dos mais difíceis, porque você já sabe o que mais ama, já sabe o que pode escolher e, agora, é a hora de renunciar o que mais ama ou não! Será que por amor ao Reino de Deus você renunciaria a sua riqueza? Renúncia nada mais é do que troca de amor, ou seja, por amor a Cristo eu renuncio o amor ao mundo. Você sabe que se renunciar por amor e escolher morrer, sentirá sofrimento e dor, e seu “eu” gritará para que você não permita a sua morte, e não haverá plateia, não haverá aplausos, mas haverá críticas, dor, injúrias e perdas nesta vida. O quarto passo é o da solidão, o caminho da morte é solitário, pois todos que renunciam algo por amor a Cristo, passarão pela desaprovação dos entes mais queridos e se sentirão só, e lá, não haverá mamãe nem papai, só você e Deus em um discipulado pessoal e completo, passando pelo fogo, para ser purificado, pois, somente o metal precioso resiste ao fogo, a palha e o feno queimam na primeira faísca, a cruz é pesada, o preço é alto, mas o Calvário foi vencido. O quinto e último passo é o da vitória: Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus (não é por força), nem a corrupção herdar a incorrupção (há um preço). Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos (morte física), mas transformados seremos todos (em vida, pelo processo da morte); Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade, e quando isso ocorrer, então, se cumprirá a palavra que esta escrita: tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo (1 Coríntios, 15:50-56).
É nesse lugar de vitória sobre o pecado, que a Lei perde completamente a força, o peso da morte perde a vitória sobre você, não te acusa mais, e é aqui, que você vence a morte por meio de Cristo! E Deus que te viu em secreto te recompensará, assim como Deus viu Cristo em secreto morrer, antes da fundação do mundo, e O recompensou com bênçãos de valor eterno, dando-lhe um nome que está acima de todo nome, também fará a todos que escolherem o Reino, pagando o preço, não com esforço físico, mas com fé, recebendo o que Cristo, o primogênito de entre os mortos, já fez! É nesse lugar de vitória sobre o pecado, que o peso da condenação do pecado não terá a força para prevalecer sobre você, porque a Lei caiu por terra e a Graça se manifestou e te libertou, ou seja, a carne perdeu o efeito, o espinho não dói mais, Cristo cresceu e você diminui, já não é você quem vive, mas Ele que vive em você, não por obras, mas por fé e esse, dá muitos frutos. Chegar no quinto passo não é morrer e ir pro Céu, de forma nenhuma, chegar no quinto passo do processo solitário da morte é saber que, a partir dali, todas as coisas que você fizer deve ser para a honra e glória d’Ele, é saber que não existe mais volta, é mergulhar muito profundo em Cristo e estar disposto a enfrentar qualquer situação para que o amor de Cristo, o Primeiro, seja manifesto em você e o primogênito da morte, Cristo, seja a própria vida em cada átomo do seu ser!





