Deus criou o mundo e tudo o que nele há pelo poder da palavra, mas Adão não foi criado apenas, ele foi formado. Na criação do mundo, Deus disse: “haja luz e houve luz”, mas para Adão, Ele não disse “haja um homem”, Ele foi lá e o fez com as Suas próprias mãos!  Existe uma diferença muito grande, em uma linha tênue, entre os termos criar e formar. Criar é dar existência a partir do nada, é produzir algo em pequena ou grande escala, isso é criar. Já formar é conceber, é gerar, é fabricar, é fazer com as próprias mãos, é tomar o aspecto. Quando Deus formou Adão, Ele o fez a Sua imagem e semelhança, tomou o seu aspecto e imprimiu no homem, o fez semelhante por dentro, com um espírito eterno e por fora, com um corpo de Glória, semelhante no Céu e na Terra, semelhante no Reino espiritual e no mundo que Deus criará para o seu governo e domínio, sobre os ventos e os mares. Deus não havia apenas formado um boneco de barro e soprado nele o folego de vida, Deus havia reproduzido Ele mesmo no homem. Adão era a personificação exata da Glória de Deus. Os Anjos foram feitos apenas celestiais, eles não possuem duas naturezas como Adão (homem espiritual e homem natural), como nós possuímos. Os Anjos possuem somente uma, a celestial (Salmos, 8:5) e a única Glória que eles refletem é a quem vem de Deus, ou seja, de fora para dentro, por isso são cheios, mas Adão era diferente, porque não só recebia como também produzia a Glória. Os Serafins, Anjos que  vivem ao redor do Trono, não suportam a Glória e nem a santidade de Deus: “Serafins (Anjos flamejantes) estavam por cima dele (do trono de Deus); cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os pés e com duas voava” (Isaías, 6:1-3).

Os anjos não possuíam o que Deus mais queria em um ser a Sua imagem e semelhança, a essência de uma amizade, o amor! Os Anjos foram criados para adorar a Deus e para o serviço d’Ele, já Adão foi formado para transmitir a Glória de Deus, por isso os Anjos glorificam ao Senhor e refletem a Sua Glória, mas não tem escolha, e Adão podia não só glorificar, mas manifestar, transmitir e ser, ele mesmo, a glória como imagem perfeita, afinal, ele era a semelhança, ele tinha o mesmo Espírito, o mesmo ar, o mesmo corpo, o mesmo DNA eterno, cada átomo, cada partícula, cada molécula de Adão era idêntica, se é que podemos dizer de, geneticamente iguais, Adão era muito mais do que um “clone” de Deus, ele era a imagem e a semelhança. A única forma de se relacionar com Deus, é conhecendo a Deus, você não se relaciona com alguém sem antes conhecê-lo. E Deus queria se relacionar com a Sua própria forma mais perfeita de amor, por isso formou Adão, para ser Seu filho, herdeiro, semelhante e apenas um com o Pai, assim como Cristo: A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido à glória que me tens dado, para que sejam um, como nós somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade (João, 17:21-23). Deus sentia prazer em ver Adão fazendo tudo, exatamente como o Pai, porque todo filho copia o Pai e com Adão não era diferente! Ele copiava Deus em tudo. Deus havia formado Adão para um relacionamento intimo, Deus queria ser chamado de Pai, queria ser escolhido entre outras árvores do jardim, queria um amigo que o desejasse mais que todos os outros prazeres do Universo, por isso formou Adão, por isso formou você! Deus não havia formado um boneco de barro, havia formado Ele mesmo, havia se alto reproduzido em Adão e ele era tão semelhante, que causava inveja em Lúcifer, porque Adão era o único ser humano que, literalmente, chegava à presença do Rei e não era consumido por Sua Glória, Adão possuía o cetro de Deus estendido para ele, de eternidade a eternidade, Adão era o único ser, em forma humana, com duas naturezas (espírito e corpo de glória), que sentava no colo de Deus e acariciava o Seu rosto, face a face, sem ser consumido pela Glória do Pai, porque o Pai via Cristo nele. Aleluia! Você faz ideia disso?
Na viração do dia, durante toda a eternidade de Adão, Deus vinha passear com ele no jardim, certamente que não era um passeio rápido, afinal, Deus tinha toda uma eternidade pela frente. Aquele era o momento em que os dois mais semelhantes seres do Universo se encontravam para se relacionar e compartilhar, cada um, do seu dia. Certamente eles riam, pulavam, brincavam e criavam juntos tantas coisas. Deus amava aquele momento e Adão era completo com tudo aquilo, eles eram amigos, não havia interesse de poder, não havia cobiça, inveja, ciúmes, disputa por cargos, nada disso, só havia a mais verdadeira amizade, por isso seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua própria alma abomina, que é aquele que semeia contenda e divisão entre irmãos (Provérbios, 6:16-19). Quando alguém causa divisão e contenda entre irmãos, Deus relembra do momento na eternidade, onde Satanás causou essa divisão com suas mentiras, separando Adão da eternidade de Deus. Nunca, jamais teremos ideia do que foi aquele momento no coração do Pai, você jamais saberá o que Deus sentiu. A ruptura, o desligamento de alma, o desligamento de espírito, foi chocante! O Universo inteiro sentiu, o Cosmos, as estrelas, cada ser vivo, do maior ao menor, cada bactéria, cada átomo, pois tudo estava conectado, a dor foi dilacerante, foi imensurável, nunca saberemos o que o Pai sentiu naquele exato momento da queda de Adão! Tratava-se do Seu melhor amigo, do Seu próprio DNA, tinha saído d’Ele, era Ele, só de escrever essa visão que o Espírito Santo me revela, meu corpo inteiro geme de dor e lágrimas, jamais serei capaz de imaginar que dor foi essa que o meu Pai sentiu ao se desligar de Adão, ao ver Seu amigo morrer espiritualmente! Por isso que Deus não procura por homens que queiram o Seu poder, porque o poder d’Ele, Ele dá a quem quer, mas a amizade e a presença d’Ele, é somente para os que procuram por Ele, não só na viração do dia, mas hora após hora, dia após dia. Quem procura pelo poder de Deus, o poder se torna o alvo, mas quem procura a amizade de Deus, Cristo se torna o centro.

Quem escreveu o livro de Gênesis foi Moisés, ele sabia que ser amigo de Deus era o mais importante, era o degrau mais alto que ele poderia chegar. Moisés chegou a um nível de amor por Deus, que ele já não queria dar um passo sem ter a certeza de que a presença de Deus iria junto (leia Êxodo, 33:12-15), Moisés não se importava com as manifestações de poder, quem queria ver o poder de Deus era o povo incrédulo. O que Moisés mais queria ia muito além da presença, Moisés queria o que um dia Adão teve ao alcance de suas mãos, a presença da Glória, ele queria o Pai. Deus conhecia Moisés pelo nome e Moisés conhecia o coração de Deus. Moisés amava passar dias e dias em Sua presença, mas o anelo de Moisés estava muito além de tudo aquilo, ele era amigo de Deus e queria o que poucos querem e buscam. Moisés rogava pela Glória: Então, disse Moisés: Rogo-te que me mostre a tua glória (Êxodo, 33:18). Moisés sonhava acordado com o momento em que, por um único instante, ele poderia ter o que Adão tinha todos os dias. Moisés queria tocar na face de Deus. Respondeu-lhe Deus: Farei passar toda minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do Senhor… Porém, não poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá minha face e viverá (sem corpo de glória, que é Cristo em nós e sem o Espírito Santo, somos fulminados pela Glória). Disse mais o Senhor: Eis aqui um lugar junto a mim; e tu estarás sobre a penha (ou Rocha). Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da Rocha (Deus colocou Moisés dentro de Cristo naquele momento) e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado. Depois, em tirando eu a minha mão, tu me verás pelas costas; mas a minha face não se verá (Êxodo, 33:17-23 ).

Imagine esse momento, Deus colocando Moisés naquele lugar físico, dentro de uma fenda na Rocha, onde, somente de lá, ele poderia ver toda a bondade e a Glória de Deus, mas, o que muitos não se dão conta é de que aquela fenda na Rocha, representa a morte de Cristo, pois o Seu lado foi aberto quanto estava na Cruz: Mas quando se aproximaram de Jesus e viram que Ele já estava morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo, um dos soldados perfurou o lado de Jesus com uma lança, e imediatamente brotou sangue e água. E aquele que a isso presenciou, disso deu seu testemunho; e o seu depoimento é verdadeiro (João, 19:34-35). Quando o sangue e a água saíram do lado de Jesus, daquele rasgo feito pela lança, daquela fenda aberta na Rocha que é Cristo, da Sua entrega voluntária, ali, foi manifestada toda a bondade de Deus. Davi, também sabia quem era essa Rocha, pois fez um cântico lindo declarando à Rocha em quem ele confiava: Pois quem é Deus além do Senhor? E quem é Rocha senão o nosso Deus? (2 Samuel, 22:32, aconselho ler todo este capítulo). Cristo é a nossa Rocha eterna (Isaías, 26:4), somente por meio d’Ele temos acesso à Glória de Deus. Mas,  quero chamar a sua atenção para algo, pois, não apenas Moisés viu a bondade de Deus, nós somos frutos desta bondade, porque essa fenda nos abriu um novo e vivo caminho para o Santo dos Santos. Deus não quer homens que queiram o Seu poder, Ele procura homens que queiram a Sua amizade, que O desejem mais que tudo, mais do que a própria vida. Deus ama você, Ele sonha com você chamando-O de “Aba Pai” e contando-lhe o seu dia. Deus te ama mais do que tudo no Universo meu irmão. Não queira o poder d’Ele, queira a presença, o colo, as mãos e o olhar, queira Ele, deseje estar na fenda da Rocha, veja o Pai por meio do Filho, toque no Pai através do Filho, seja transportado para esse Reino, onde o que o Pai mais quer é um amigo verdadeiro que Ele conheça pelo nome e possa contar-lhe, também, como foi o Seu dia na eternidade. Deus procura alguém que deseje estar na fenda da Rocha. A queda de Adão criou um abismo enorme, não só no coração do Pai, mas em todo o Universo. Foi preciso Jesus morrer por nós, para que esse abismo fosse reparado, para que o véu fosse rasgado. Quando você conhecer o coração de Deus, saberá que o coração d’Ele pulsa por almas e anseia por aquele momento da viração do dia, em que Ele vai poder caminhar com você no jardim da inocência: Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas Eu vos tenho chamado amigos, pois tudo o que ouvi de meu Pai Eu compartilhei convosco” (João, 15:15). 

 

Livres pela Fé

1 COMENTÁRIO

  1. Quando você pedir pra conhecer o coração de Deus, Ele vai dizer sim e a única coisa que você vai ver nele é o amor pelas almas, o amor incondicional por elas e vai ver também um Pai clamando desesperadamente dizendo: Minha igreja por favor, vá, vá e fale, fale do meu amor!

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