A primeira vez na história da Palavra de Deus que lemos o termo “descanso”, encontra-se na criação, relatado em Gênesis, 2:2, diz: E havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, “descansou nesse dia” de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque “nele descansou” de toda obra, como criador, fizera. Durante os seis primeiro dias da criação, vemos claramente que houve tarde e manhã, porém, no sétimo dia, não houve tarde e manhã, por quê será? Tarde e manhã conota tempo e espaço limite, ou seja, manhã tem um determinado tempo e o período da tarde, também tem um determinado tempo, e assim o ciclo recomeça, sempre determinando tempo, já no sétimo dia não vemos esse intervalo de tempo, vemos apenas que nele, no sétimo dia, no sábado, Deus descansou de toda a obra e por que em todos os primeiros seis dias a ênfase tarde e manhã foi mencionada e no sétimo dia não? Já parou para observar isso? Será que o autor do livro esqueceu desse detalhe? Com certeza não! O tempo não é mencionado porque o dia do descanso de Deus, o sábado, é eterno, sem limites de tempo e espaço, não tem haver com circunstâncias, com tempo limite de um dia, de 24 horas, mas refere-se a um espaço ilimitado de tempo, a algo eterno.
Após o descanso de Deus, vemos que é mencionada a criação do homem, mas em momento algum, no Jardim do Éden, vemos Adão e Eva descansar no sétimo dia, ora, Adão trabalhava e cuidava de todo o Jardim, foi Adão que deu nome a todas as coisas (Gn. 2:17-20) e por que razão Adão não descansou? Antes da queda do homem, no Jardim do Éden, Adão vivia no plano exato de Deus, Adão estava na hora certa, no lugar certo e fazendo exatamente o que foi criado para fazer. Adão não tinha o porquê descansar no sétimo dia, tudo porque ele vivia um eterno sábado! Como assim? Exatamente isso, Adão não teve que guardar o sétimo dia porque vivia um eterno sábado, ou seja, Adão vivia no descanso de Deus. Porém, quando Adão caiu em pecado, ele trouxe consigo o fardo pesado do pecado que é a morte e julgo sobre sua alma. Disse Deus a Adão: Visto que atendeste a voz da tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenei não comesse, maldita é a terra por tua causa, em fadigas, obterás dela sustento durante os dias de tua vida. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes a terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás (Gn. 3:17-19). Com a queda de Adão houve uma separação brusca e radical entre espírito, alma e corpo, e nesse momento, no lugar de descanso, veio um fardo pesado, a morte (porque o pendor da carne da para a morte), e no lugar da paz, veio o jugo de ter que conquistar e suprir com a força do braço as suas necessidades e os dois juntos, fardo e jugo, trouxeram grande cansaço ao homem, antes Adão exercia o seu trabalho e não se cansava, porque estava com Deus e em Deus, mas depois, ele se cansava, ficava exausto porque a carne é assim.
Saindo de Adão, vamos correndo para Noé, que foi um homem justo e bom, porque andava com Deus, e foi escolhido no meio de uma geração impura e perversa para construir uma arca, (Gn. 6:13-14), a construção da arca durou muitos anos, houve muito trabalho árduo, muito esforço físico e dedicação, houve perseverança e, também, muito cansaço físico, muita fadiga e, até ali, não vemos Deus mencionar do sétimo dia de descanso. Agora, vamos correr para o patriarca Abraão, a quem Deus prometeu uma terra, chamada Canaã (Gn. 13:13-14). Na história vemos que Abraão saiu de onde estava para uma terra, sem saber para onde ia, e peregrinou até a morte e o que vemos na vida de Abraão são duas promessas, a de fazer-lhe uma grande nação e a de dar-lhe uma terra por herança, de Abraão temos todas as 12 tribos de Israel e, ate ali, também não vemos Deus mencionar sobre o sétimo dia. Vamos agora correr para a história de Moisés, que ouviu a voz de Deus, pela primeira vez, do meio de uma sarça ardente, que dizia: Certamente, “vi a aflição do meu povo”, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento; por isso, desci a fim de livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel (Êxodo, 3:7-8). De Adão até Moisés passaram-se milhares de anos, não temos como saber exatamente o tempo em razão do dilúvio e do repovoamento da terra e em todos esses anos, não vemos Deus fazer menção do sétimo dia, do descanso de Deus.

Ainda na história de Moisés, após as pragas lançadas sobre o Egito, é possível observar a primeira ordenança de Deus ao povo de Israel, que não foi a de guardar o sábado, mas, sim, da instituição da Páscoa, para ser celebrada como estatuto perpétuo, temos ainda, a segunda ordenança, que não foi de guardar o sábado, mas de guardarem-se do fermento, a festa dos Pães Asmos, que deveria ser celebrada após a Páscoa (Êx. 12:14,15-17 e 13:10). Depois disso, temos o povo de Israel saindo do Egito, atravessando o mar vermelho e entrando no deserto, rumo á terra prometida, e lá, no deserto, Deus fala com Moisés, no Monte Sinai, dizendo: Agora, pois, se diligentemente ouvires a minha voz e guardares a minha aliança, então sereis minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa (Êx. 19:5,6). E mais na frente vemos Deus dando os dez mandamentos e, no quarto mandamento, temos: Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro, porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, o sétimo dia, descansou, por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou. 

A primeira menção do sétimo dia é na criação e a segunda menção ocorre somente após a saída do povo de Israel do Egito, como mandamento. Se observarmos mais um pouco, ela é ordenada enquanto eles ainda estão no “deserto”, indo rumo à terra prometida. Vamos recapitular:
Criação de Deus (Deus se revela ao mundo por meio da palavra, Jo. 1:1-5). Deus descansou no sétimo dia e o santificou (não houve tarde e manhã nesse dia, sem limite de tempo);
Queda de Adão (Alma vivente, 1 Co. 15:45) com a queda de Adão, veio a sentença de morte sobre nós, com isso veio, também, a fadiga, o fardo, o jugo que trazem cansaço à nossa alma (esforço físico, cansaço da alma e da carne, não descansava mais em Deus);
Promessa a Abraão (Terra prometida, terra espiritual, 2 Co. 3:17);
Deus faz uma promessa a Abraão de uma terra que receberia por herança (terra espiritual onde quem guia é Deus);
Deus manda Moisés tirar Israel do Egito (Cristo nos tirando da escravidão do pecado). Depois Deus dá ordenança a Moisés de tirar o povo de Israel do Egito (sair do mundo, da escravidão do pecado, para a terra prometida, vida no Espírito, terra de liberdade no espírito, onde há vida com Cristo, terra onde Deus habita);
Ordenança de celebrar a Páscoa e os Pães Asmos (Celebrar a morte e ressureição de Cristo, com a ceia do Senhor e ser purificado do fermento, do pecado por meio de Cristo. 1 Co. 5:7). Deus dá uma ordenança ao povo de Israel, celebrar a Páscoa (Cristo é o nosso cordeiro pascoal) e a festa dos Pães Asmos (pão sem fermento);
Travessia do mar vermelho (o mar fazia separação entre o Egito e a terra prometida, Jo.3:3-7). Após a celebração das duas festas, Moisés atravessa, com o povo de Israel, o mar vermelho (água, purificação, separação da terra antiga, Egito, para a nova terra de Canaã, terra espiritual por meio do batismo nas águas. Aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus);
Os dez mandamentos (Somente em Cristo poderemos cumprir os Seus mandamentos, Mt. 22:34-40). Somente quando o povo de Israel sai do Egito e entra no caminho certo, rumo à Canaã, para o centro da vontade de Deus, é que o Senhor volta a falar sobre guardar o sábado. Como poderemos guardar o sábado sem sair do Egito? Como poderemos entrar no Reino de Deus sem nascer de novo? Impossível!
Cristo é o Senhor do Sábado, Ele é o nosso verdadeiro dia de descanso, só encontramos descanso em Cristo, Hb.4:2-11.Somente aqui, no caminho para Canaã, em meio ao deserto, as provações, as tentações, é que compreendemos o que verdadeiramente é guardar o sábado. Só temos essa dimensão quando saímos do mundo, aceitamos a Cristo como único e suficiente Salvador e Redentor, quando recebemos o batismo nas águas e nos lavamos e morremos para o mundo, que poderemos compreender, exatamente, o que é o sábado. Ora, o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc. 2:27,28), ou seja, Deus criou o dia do descanso para o homem e não o homem para o dia do descanso, e que dia é esse? O dia do descanso é exatamente o dia em que você se achegar  a Cristo verdadeiramente, porque assim esta escrito: Vinde a mim, todos que estais cansados (fardos que veio de Adão, peso do pecado, morte) e sobrecarregados (a sobrecarga veio com a Lei, porque homem nenhum conseguiu com as próprias mãos, com esforço físico, cumprir a Lei, o único que cumpriu a Lei foi Cristo e é somente por meio d’Ele que alcançamos essa vitória, por meio do espírito), e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu julgo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis DESCANSO, para vossas almas. Porque meu jugo (remissão dos pecados) é suave e meu fardo (sem Lei e sim pela Graça) é leve (Mt. 11:28-30).
 
Homens que não compreenderam o propósito de guardar o sábado e continuaram com a Lei fixa e impregnada em suas mentes. Mentes caídas, sem renovo, onde o esforço físico é melhor do que o descanso em Cristo, onde o holocausto é melhor do que a misericórdia, homens que não compreendem o chamado, por isso, julgam e tentam colocar sobre nós fardos, homens cegos que acreditam que a letra é vida, enquanto que na verdade a letra mata (2 Co. 3:6), só o Espírito vivifica. Homens que chegaram a Cristo e  falaram de um sábado dizendo: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer em dia de sábado. Mas Jesus lhes disse: Não lestes o que fez Davi quando ele e seus companheiros tiveram fome? Como entrou na Casa de Deus, e comeram os pães da proposição, os quais, não lhes era lícito comer, nem a ele, nem aos que com ele estavam, mas exclusivamente aos sacerdotes? Ou não lestes na Lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa? Pois eu vos digo: aqui esta quem é maior que o templo. Mas se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; porque o Filho do Homem é Senhor do Sábado (Mt. 12:1-8). Posso imaginar Jesus suspirando, dizendo: Ah! Se vós soubésseis o significado! Ah igreja minha, se soubessem que o sábado Sou Eu, e somente em mim tereis descanso para vossas almas. Se soubessem que o Sábado é eterno e pode ser cumprido todos os dias de vossas vidas! Ah… se compreendessem que o Sábado é Santo, porque Deus é Santo! Se compreendessem que d’Ele, e por meio d’Ele, e para Ele são todas as coisas (Rm. 11:36). Se compreendessem a dimensão do que significa guardar o sábado, não andariam ansiosos por coisa alguma. Este é um pequeno estudo para que você saia da mentalidade da Lei, do ter de fazer, para a mentalidade da Graça, onde Cristo já fez, e tudo o que temos que fazer é descansar n’Ele, por meio da santificação sem qual ninguém verá a Deus. Desejo que a partir de hoje, a compreensão de ser santo, de se santificar e guardar o sábado (Cristo) seja algo vivo dentro de você, diariamente, não apenas um dia na semana, mas todos os dias. Desejo que viva um sábado eterno, ou seja, que viva eternamente descansando em Cristo e em santificação diária.
Livres pela Fé

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